domingo, 22 de abril de 2018

Em São Petersburgo no Centenário da Revolução


Rio Neva, no centro de São Petersburgo


Centenário da Revolução Russa - Parte 1

O estudo da Revolução Russa pode ser feito de vários modos e sob diversas perspectivas. Após 110 anos deste importantíssimo acontecimento, foi publicada uma quantidade enorme de estudos sobre este evento.
         Nestas postagens farei uma abordagem sob a perspectiva de um grupo de professores que se preparou e realizou uma visita a São Petersburgo e Moscou, nos dias 02 a 09 de novembro de 2017.
         Nesta primeira postagem faço uma descrição panorâmica e nas próximas farei abordagens mais específicas. Primeiro sobre São Petersburgo e posteriormente sobre Moscou.


São Petersburgo

         Esta cidade foi o palco principal da Revolução de Outubro (25 de outubro, de acordo com o Calendário Juliano, adotado durante o período dos czares; 07 de novembro, de acordo com o Calendário Gregoriano, adotado pelos soviéticos). A cidade recebeu três nomes ao longo de sua história. Originalmente, São Petersburgo, para homenagear São Pedro, mas de forma disfarçada, homenagear seu fundador, Pedro, o Grande. Durante um breve período da Primeira Guerra Mundial, adotou o nome de Petrogrado, para evitar o nome aparentemente germânico (Petersburgo). Três dias após a morte de Lênin, a cidade ganhou o nome de Leningrado. Após o fim da União Soviética, retornou ao nome original.


Instituto Smolny

         O primeiro local de visita foi o "Instituto Smolny de Donzelas Nobres". A escola tinha por objetivo “educar” as mulheres da aristocracia do período dos czares para serem boas esposas. Tinham aulas de boas maneiras, piano, francês, entre outras áreas de formação. Em agosto de 1917, o edifício já não cumpria mais esta função, então foi ocupado pelos bolcheviques. Em setembro deste ano Trotsky instalou ali a sede do Soviete de Petrogrado. Lênin passou a morar e trabalhar neste local. Foi no salão deste instituto que Lênin declarou que os bolcheviques haviam tomado o poder, no dia 25 de outubro.
         Atualmente o prédio é usado como uma repartição pública da administração da cidade de São Petersburgo. O quarto e escritório de Lênin foram preservados, com todos móveis e objetos pessoais. Uma ala do edifício foi transformada em museu, com muitas obras de arte, fotografias e painéis com apresentações didáticas sobre o período da Revolução. O acesso a este local é muito restrito. É preciso solicitação especial para fazer a visita.












Hermitage

         O monumental Museu Hermitage é, fisicamente, o maior museu do mundo. Com dez edifícios, mais de mil salas e mais de três milhões de obras de arte. Além dos artistas russos, tem obras de artistas do mundo todo, com destaque para os europeus: Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rembrandt, Kandinsky, Van Gogh, Velázquez, Cézanne, Gauguin, Goya, Degas, Matisse, Renoir, Monet, Picasso.
         Um dos edifícios do museu é o Palácio de Inverno, que foi residência dos czares e sede do Governo Provisório, em 1917. Local da tomada do poder pelos Bolcheviques, no dia 25 de outubro.

         A imponente Praça do Palácio foi cenário do massacre de 1905, conhecido como o “Domingo Sangrento”. No dia 09 de janeiro, o Padre Giorgi Gapon liderou uma multidão de fiéis até o Palácio de Inverno, para pedir pacificamente ao czar, medidas de combate à fome. A iniciativa do padre foi apoiada pelos movimentos de trabalhadores em geral. Ao chegarem na frente do Palácio, a multidão foi brutalmente atacada pelas tropas do czar, resultando em inúmeros mortos e feridos.








Para melhor visualização das obras de arte, recomendo que entrem nos sites especializados ou no site do próprio Museu Hermitage: http://hermitage--www.hermitagemuseum.org/wps/portal/hermitage/?lng=pt



Cruzador Aurora

         O cruzador Aurora é o mais famoso símbolo da insurreição de outubro. Foi dele que partiu o tiro de canhão, senha para a tomada do Palácio de Inverno. Durante a 2ª Guerra Mundial, quando os nazistas estavam ameaçando tomar Leningrado (São Petersburgo), os soviéticos afundaram o cruzador no mar, temendo que ele fosse tomado pelos inimigos. Depois da Guerra ele foi recuperado e transformado em museu.









Fortaleza São Pedro e São Paulo

         Esta fortaleza é um dos lugares mais representativos de São Petersburgo. Construída em 1703, pelo czar Pedro, o Grande, mesmo ano da fundação de São Petersburgo. Esta construção é obra de muitos escravos e prisioneiros de guerra suecos, sendo que inúmeros deles morreram afogados nos perigosos pântanos existentes no local.
         A fortaleza conta com várias referências, vamos destacar duas: a catedral e o presídio.


Catedral de São Pedro e São Paulo

         Construída entre os anos 1712 e 1733, em 1720 instalaram nela um carrilhão (de sinos), comprado pelo czar Pedro, o Grande, em Amsterdã. Durante anos o carrilhão tocava o hino religioso “Glória de Deus” e o Hino Nacional “Senhor, protegei o Czar”. Após a Revolução o carrilhão ficou um longo período sem tocar. Em 1952 ele tocou o Hino da União Soviética. Após o fim da União Soviética ele voltou a entoar os hinos da época czarista.
Dentro desta catedral barroca fica o túmulo dos Romanov, dinastia que dominou a Rússia de 1613 a 1917. Estão enterrados o fundador da cidade, Pedro, o Grande e a família de Nicolau II, executada em 1918, durante a Guerra Civil.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        
Presídio da Fortaleza

         Esta prisão foi construída pelo czar Pedro, o Grande e um dos primeiros presos foi Aleksei, seu filho. Acusado de traição, pelo próprio pai, sofreu horríveis torturas (inclusive na presença do pai) e foi executado em 1718.
         Ao longo dos séculos e, especialmente, na segunda metade do século XIX e início do século XX, inúmeros intelectuais e líderes revolucionários foram colocados nesta prisão, dentre eles: o escritor Máximo Gorki; o anarquista Bakunin; o revolucionário Trotsky; o irmão mais velho de Lênin, Alexander Ulyanovi; a revolucionária Vera Figner; o escritor Dostoievski.
         O caso de Dostoieviski é impressionante, porque quando ele estava diante do pelotão de fuzilamento, prestes a ser executado, chegou um documento do czar, comutando a sua pena de morte em prisão na Sibéria. O escritor foi preso por participar dos círculos revolucionários de São Petersburgo.















Museu Casa de Dostoievski

         Fora da Fortaleza, no outro lado da cidade, fica o museu. Trata-se da última casa em que viveu Dostoievski. Foram preservados seus objetos pessoais, móveis da casa e brinquedos das crianças. Tem um espaço anexo, propriamente um museu, com seus manuscritos, ilustrações dos livros, fotografias, obras de arte, enfim, um paraíso para os amantes da literatura russa.










“Spasiba” (obrigado!)

         Obrigado para você que chegou até aqui na leitura.

         Evidentemente que ao nos debruçarmos sobre os estudos da Revolução Russa, estamos refletindo sobre os processos de transformação pelos quais passaram inúmeros povos. A luta pela emancipação humana é muito árdua, mas realizadora. A pessoa se torna mais humana, na medida em que luta pela libertação de todas as opressões e pela libertação do maior número de pessoas. Temos muitas lições para tirarmos da Revolução Russa, mas também temos muitas contribuições para oferecer na luta internacional dos povos por libertação.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Curso: Modernidade, pós-modernidade e hipermodernidade

Curso:

“Os enigmas da Esfinge:
Modernidade, pós-modernidade e hipermodernidade”

Datas:
27 de agosto; 03, 10 e 17 de setembro (sábados)

Horário:
Das 10h às 12h

Locais:
1.     Livraria Paulus da Vila Mariana (dias 27/08; 03 e 10/09)
Rua Dr. Pinto Ferraz, 207 (Metrô Vila Mariana)
Inscrição:
Fone: (11) 5571-6458

2.     Museu de Arte Contemporânea – MAC-USP
Av. Pedro Álvares Cabral, 1301 (dia 17/09)

Apresentação
         A famosa passagem do Mito de Édipo, quando o filho do rei Laio e da rainha Jocasta chega na entrada da cidade de Tebas e se depara com a Esfinge, estimula nossa reflexão sobre a vida na sociedade atual. No mito, todas as pessoas que não conseguiam decifrar o enigma emitido pela Esfinge eram devoradas. Esta é a origem da máxima: “Decifra-me ou devoro-te”!
         O desafio do nosso curso será o de decifrar o enigma do nosso tempo. Que tempo vivemos: Modernidade, pós-modernidade, hipermodernidade? Qual o significado desses conceitos? No caso do Mito de Édipo, o enigma é: “Que animal usa quatro patas de manhã, duas patas durante o dia e três patas no final da tarde”? Hoje todos sabemos a resposta dada por Édipo: o ser humano! De manhã, na infância, engatinha sob os pés e as mãos; durante o dia, na fase adulta, caminha sob dois pés; no final da tarde, na velhice, usa uma bengala para caminhar. Ao decifrar o enigma, Édipo elimina o monstro que matava e aterrorizava os moradores da cidade de Tebas. O centro do enigma é o ser humano. O desafio é compreender o ser humano. Esta é a busca de Édipo.
         Partindo de uma perspectiva da Antropologia Filosófica, vamos examinar aspectos característicos do nosso tempo: sociedade do consumo; sociedade tecnológica; publicidade; cotidianidade; individualismo; niilismo.
         O curso pretende também jogar luz sob as experiências de vida na sociedade contemporânea. Para isso, buscará inspiração no acervo do Museu de Arte Contemporânea – MAC-USP (Ibirapuera), onde também será feita uma visita no último dia do curso.

Facilitador: Prof. Francisco José Nunes
(Mestre em Ciências Sociais – PUC-SP; Graduado em Filosofia;
Professor na Faculdade Cásper Líbero)

Metodologia: Teremos aulas expositivas, debates e análises de: textos selecionados de Filosofia; reprodução de obras de arte e de fotografia.

Público-alvo: Profissionais que trabalham na área de comunicação, tecnologia e educação; interessados em Filosofia e História da Arte.


Investimento: R$50,00.


“Estrada de ferro Central do Brasil” (1924), de Tarsila do Amaral.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Curso: "As crianças nas obras de arte"

("O Escolar", de Van Gogh)



Curso: “As crianças nas obras de artes”

Datas: 21 e 28 de junho (terças-feiras), na Livraria Paulus da Vila Mariana;
e, dia 05 de julho (terça-feira), no MASP.

Horário: das 14h às 16h

Objetivo:

O curso pretende proporcionar uma reflexão sobre a presença e a ausência das crianças nas obras de arte. Sob a perspectiva da História da Filosofia da Educação será feito um estudo sobre a “ausência” das crianças na Antiguidade e na Idade Média e a sua presença na Modernidade e na Pós-Modernidade.

No último dia do curso será feita uma visita ao MASP, para entrar em contato com a Exposição “Histórias da Infância”. Com obras que provocam muita reflexão: “Criança morta”, de Portinari; “Anjo negro”, de Volpi; “O sonho do menino pobre”, de Djanira; “Crianças de açúcar”, de Vik Muniz; “As meninas Cahen”, de Renoir; “O escolar”, de Van Gogh; e observação de cerca de 200 obras expostas.

Professor:

Francisco José Nunes
(Mestre em Ciências Sociais – PUC-SP; Graduado em Filosofia – UNIFAI-SP; Professor de Filosofia na Faculdade Cásper Líbero).

Público-alvo: Pessoas interessadas em Filosofia da Arte e Filosofia da Educação; estudantes do Ensino Médio e Superior; educadores e ativistas sociais; e, interessados em geral.

Investimento:

R$50,00.

Endereços:

Livraria Paulus – Vila Marina
Rua Dr. Pinto Ferraz, 207 – ao lado do Metrô Vila Mariana
Fone: 5549-1582 (inscrições)

Museu de Arte de São Paulo – MASP

Av. Paulista, 1578 (entrada gratuita nas terças-feiras)

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Livro "História da Filosofia - Filosofia pagã antiga" - Volume I


"A história da filosofia é a história dos problemas filosóficos, das teorias filosóficas e das argumentações filosóficas. É a história das disputas entre filósofos e dos erros dos filósofos. É sempre a história de novas tentativas de versar sobre questões inevitáveis, na esperança de conhecer sempre o melhor a nós mesmos e de encontrar orientações para nossa vida e motivações menos frágeis para nossas escolhas. A história da filosofia ocidental é a história das ideias que informaram, ou seja, que deram forma à história do Ocidente. É um patrimônio para não ser dissipado, uma riqueza que não se deve perder. E exatamente para tal fim os problemas, as teorias, as argumentações e as disputas filosóficas são analiticamente explicados, expostos com a maior clareza possível". (Apresentação da Editora)

Exposição: “Pólis: Viver na Cidade Grega”


http://www5.usp.br/105825/exposicao-no-mae-apresenta-o-cotidiano-na-grecia-antiga/

A Trilogia Tebana


"Aurora do teatro moderno, a tragédia grega, profundamente ligada a cultos e tradições, é também um reflexo da vida pública do período clássico. Numa época em que o conservadorismo religioso se misturava a idéias inovadoras, o teatro só podia refletir tais ambigüidades e tensões. Verdadeira antologia das principais obras que nos ficaram de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, os volumes de A Tragédia Grega são traduzidos diretamente do original pelo eminente helenista Mário da Gama Kury. "A trilogia tebana" traz ao público três peças do autor grego que compôs mais de 100 dramas, dos quais apenas sete tragédias completas chegaram até o nosso tempo. Depois de quase dois milênios e meio, "A trilogia tebana" é considerada uma das mais belas e importantes obras da cultura universal. Todo o teatro que se fez até hoje no Ocidente tem suas raízes mais profundas na obra de Sófocles, que inovou a tragédia grega ao deslocar o motivo das ações para a vontade humana e não mais para as maquinações divinas". (Apresentação da editora)

http://www.colegiopodium.com.br/blog/wp-content/uploads/2015/02/sofocles-trilogia-tebana.pdf

“O Nascimento da Filosofia na Cidade Grega Antiga”


Curso: “O Nascimento da Filosofia na Cidade Grega Antiga”

Professor: Francisco José Nunes
(Mestre em Ciências Sociais – PUC-SP;
Graduado em Filosofia – UNIFAI-SP;
Professor de Filosofia na Faculdade Cásper Líbero)

Datas: 09, 16, 23 e 30 de maio (segunda-feira)

Horário: das 14h às 16h

Locais:

1.     Livraria PAULUS – Vila Mariana (dias 09, 16 e 23)
Rua Pinto Ferraz, 207 – Fone: 5571-6458 (Inscrições)

2.     Museu de Arqueologia e Etnologia – MAE/USP (dia 30)
Av. Prof. Almeida Prado, 1466 – Cidade Universitária


Investimento: R$50,00.


Apresentação

         O curso pretende proporcionar uma introdução geral à Filosofia e ao mesmo tempo criar um ambiente de reflexão sobre o nascimento da Filosofia na Grécia. Será feita uma abordagem em diversas perspectivas: histórica, econômica, religiosa, cultural e artística.

         A abordagem da formação da Pólis, a Cidade Grega Antiga será feita através de duas peças de teatro: a tragédia de Sófocles “Antígona”; e, a comédia de Aristófanes “Lisistrata – A Greve do Sexo”. Uma análise da relação entre a representação do oikos (a casa) e a pólis (a cidade) irá possibilitar uma reflexão sobre o nascimento da Cidadania, da Política, os conflitos na construção do papel social de homens e mulheres, a importância do teatro na cidade grega.

         As referências bibliográficas para o curso são: “História da Filosofia: Filosofia Pagã antiga”, Volume I, de Giovanni Reale e Dario Antiseri, Editora PAULUS; “Estudos sobre a Cidade Antiga”, de Maria Beatriz Borba Florenzano e Elaine Farias Hirata (Orgs.), Editora EDUSP; “Introdução à História da Filosofia – dos Pré-Socráticos a Aristóteles” – Volume I, de Marilena Chaui, Editora Companhia das Letras; “Antígona”, de Sófocles, tradução de Millôr Fernandes, Editora Paz e Terra; “Lisístrata – A Greve do Sexo”, de Aristófanes, tradução de Millôr Fernandes, Editora L&PM.

Metodologia:

Análise de textos selecionados, análises de obras de arte, debates, visita ao museu.

Público-alvo:


Pessoas interessadas em Filosofia, Artes e Teatro; estudantes do Ensino Médio e Superior; ativistas sociais; e, interessados em geral.